O Velho Fausto parecia um Domingo. Costumava vê-lo, manhã cedo, cruzar o passeio, pisando sem ruído as flores das acácias, muito aprumado no seu fato de linho branco, chapéu de palha, laço e bengala, e tão sem pressa, meu Deus!, cumprimentando com acenos lentos (largos sorrisos) a turba ansiosa. Um dia alguém o provocou:
«Afinal, o que faz você nos dias úteis?»
Ele sorriu, ainda mais generoso, e o claro fulgor dos seus dentes perfeitos cegou o atrevido:
«Todos os meus dias são inúteis», respondeu com solene orgulho: «Eu os passeio.»
José Eduardo Agualusa
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
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