O Velho Fausto parecia um Domingo. Costumava vê-lo, manhã cedo, cruzar o passeio, pisando sem ruído as flores das acácias, muito aprumado no seu fato de linho branco, chapéu de palha, laço e bengala, e tão sem pressa, meu Deus!, cumprimentando com acenos lentos (largos sorrisos) a turba ansiosa. Um dia alguém o provocou:
«Afinal, o que faz você nos dias úteis?»
Ele sorriu, ainda mais generoso, e o claro fulgor dos seus dentes perfeitos cegou o atrevido:
«Todos os meus dias são inúteis», respondeu com solene orgulho: «Eu os passeio.»
José Eduardo Agualusa
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
NO JARDIM DO PESSA
O meu psicólogo recomendou-me guardar um tempo para passear em jardins, observando os idosos a jogar às cartas e as crianças jogando bola.
Quanto mais ñ fosse para justificar o q lhe pago, venho cumprindo a receita.
Um desses dias fui até ao jardim Fernando Pessa (um parque sem sombras que há por detrás do antigo cinema roma (agora sede da AML), o forum lisboa.
Lá tem um parque infantil todo modernaço, com maquinetas de brincar inventosas, superergonómicas, individuais e de dupla.
Dentro deste parque estavam apenas umas 5 crianças, os respectivos acompanhantes, quase todos mães, observando e deitando advertências do lado de fora da cancela.
Fiz uma apetecida troca de olhos com um miúdo de 6/7 anos que brincava no aparelho das cordas. Ele sorriu para mim e acabou por vir abrir-me o portão, num manifesto convite.
Logo veio da mãe um ralhete: “não faças isso Joãozinho”.
Seguido de um comentário para a mãe vizinha:
“Detesto que ele meta conversa com desconhecidos.”
Quanto mais ñ fosse para justificar o q lhe pago, venho cumprindo a receita.
Um desses dias fui até ao jardim Fernando Pessa (um parque sem sombras que há por detrás do antigo cinema roma (agora sede da AML), o forum lisboa.
Lá tem um parque infantil todo modernaço, com maquinetas de brincar inventosas, superergonómicas, individuais e de dupla.
Dentro deste parque estavam apenas umas 5 crianças, os respectivos acompanhantes, quase todos mães, observando e deitando advertências do lado de fora da cancela.
Fiz uma apetecida troca de olhos com um miúdo de 6/7 anos que brincava no aparelho das cordas. Ele sorriu para mim e acabou por vir abrir-me o portão, num manifesto convite.
Logo veio da mãe um ralhete: “não faças isso Joãozinho”.
Seguido de um comentário para a mãe vizinha:
“Detesto que ele meta conversa com desconhecidos.”
O PAI NO CARTÃO

Muitas vezes venho das portas de sto antão em direcção aos restauradores.
Aí ñ resisto a passar pelo entre colunas do teatro nacional, por todo aquele charme.
Num dia desta semana fui ali surpreendido: em vez de lá encontrar os costumeiros guineenses (dando azo ao seu belo crioulo), dei de olhos com um portuguesíssimo ancião deitado ao sol das 12 e quinze, por sobre um daqueles cartões de embalagem que, por toda a lisboa, servem de colchão aos sem abrigo.
O homem usava uma profusa barba branca – ideal para fazer de pai natal, de preferência como homem-estátua.
Quando eu for grande vou mecenar um curso para pais natais de rua. Eu juro.
Aí ñ resisto a passar pelo entre colunas do teatro nacional, por todo aquele charme.
Num dia desta semana fui ali surpreendido: em vez de lá encontrar os costumeiros guineenses (dando azo ao seu belo crioulo), dei de olhos com um portuguesíssimo ancião deitado ao sol das 12 e quinze, por sobre um daqueles cartões de embalagem que, por toda a lisboa, servem de colchão aos sem abrigo.
O homem usava uma profusa barba branca – ideal para fazer de pai natal, de preferência como homem-estátua.
Quando eu for grande vou mecenar um curso para pais natais de rua. Eu juro.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
ANTE-ESTREIA
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